segunda-feira, 4 de maio de 2009

RESUMO: A entrevista na pesquisa em educação – uma arena de significados

Rosa Maria Hessel Silveira

Quando se pensa em entrevista dentro das ciências humanas, tem-se a seguinte imagem: de um lado o entrevistador, coletando dados para uma instituição acadêmica “séria”, do outro o entrevistado com seu nervosismo pensando o que falar, que perguntas irão ser feitas e como o entrevistador irá interpretá-las. O que fica de fora desse processo de coleta de dados são os gestos, o tom de nervosismo ou até mesmo de agrado sobre determinado assunto. Essas entrelinhas que a Análise da Conversação, Sociolingüística Interacional, a Antropologia e os Estudos Culturais ajudam a elucidar.
A entrevista é feita através de um jogo de funções, no caso da entrevista jornalística, onde o entrevistador é o porta voz do público e o entrevistado apenas o interlocutor, preocupado com a imagem pública. Sendo a pesquisa acadêmica uma imprensa “séria”, mesmo assim está sujeita a esses jogos de representações e imagens, retiradas estratégicas. “As pessoas que são entrevistadas tendem a oferecer uma retrospectiva dos acontecimentos. Podem, no entanto serem ensinadas a responder de forma a satisfazer os interesses do entrevistador”. Bogdan e Bliken (1994, p.36). Toda entrevista qualitativa é uma fonte potencial de erro, entrevistar várias pessoas sobre o mesmo fato, entrevistar as mesmas pessoas várias vezes pode ajudar a “limpar” a conversa dos traços de subjetividade, assim como concentrar a análise da entrevista na interação, no contexto e condições em que entrevistador e entrevistados estão inseridos.
Neste jogo de representações e significados que permeiam as entrevistas, deixemos um pouco de lado a busca incessante de revelar “verdades”, e passemos a investigar de que significados estão povoadas as palavras ali usadas, levando em conta o destinatário da entrevista, assim como os sucessivos relatos e regularidades.

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